Anúncio de leilões da Petrobras anima motoristas, mercado revendedor e segmento de conversões.
Rio - Enquanto se esperava a queda no preço da gasolina, a surpresa veio do Gás Natural Veicular (GNV), que deverá baixar mais que o previsto. O recuo na cotação do barril de petróleo no mercado internacional, e na variação do dólar, será contabilizado na revisão trimestral dos contratos da Petrobras com as distribuidoras. Estima-se que o preço vá cair 14% nas concessionárias. O impacto nas bombas deverá ser de 11% a 12%. Mas a notícia recente de que a Petrobras fará leilões do gás excedente vai pressionar ainda mais os preços para baixo, principalmente no segundo semestre.

Segundo o último levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o metro cúbico do GNV custa, em média, R$ 1,548 ao consumidor final. Na previsão menos otimista, de 11%, os motoristas que têm carros convertidos poderão ganhar uma folga de R$ 0,17 por metro cúbico, pagando, em média, R$ 1,377. Na mais otimista, com queda de 14%, eles poderão ganhar com a redução de R$ 0,216, pagando apenas R$ 1,331.
“Ainda não sabemos qual será a redução, mas esperamos um impacto maior quando a Petrobras começar a fazer os leilões. O aumento da oferta de GNV cria essa tendência. Mas é preciso que os postos repassem aos consumidores a queda que vão receber das concessionárias”, explica o coordenador do Comitê de GNV do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), Rosalino Fernandes. Para o especialista, os primeiros efeitos das revisões serão sentidos a partir de maio. O impacto dos leilões virá mais adiante, no segundo semestre.
A Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Rio de Janeiro (Sindirepa), que representa as oficinas convertedoras de carros para o GNV, aguarda com ansiedade o resultado da reunião entre representantes da Petrobras e das distribuidoras, que será realizada amanhã. Segundo o diretor-executivo do Sindirepa, Celso Mattos, a oferta do volume de gás atualmente é muito alta, o que reforça os sinais de recuperação do mercado, que passou por maus momentos nos últimos dois anos, enfrentando expressiva redução no número de conversões.
“Houve uma queda no consumo do produto de 17 milhões de metros cúbicos por dia. Hoje, a média de consumo se encontra na faixa de 33,4 milhões de metros cúbicos por dia. A sobra equivale a mais da metade do patamar importado da Bolívia”, avalia.
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