Presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirma que capacidade de oferta será ampliada
Rio - Motoristas que usam o GNV (Gás Natural Veicular) como combustível ganharam ontem mais um estímulo do governo. Além do preço vantajoso em relação ao álcool e à gasolina e da redução de 75% no valor do IPVA, quem optar pela conversão não vai mais precisar se preocupar com o fornecimento nos postos. A falta de gás no Brasil foi descartada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. “Nós construímos dois terminais de regaseificação e aumentamos a produção. O que precisamos é ampliar a capacidade de oferta”, afirmou. Para tanto, explicou Gabrielli, serão construídos mais dois terminais: “Um deles será flexível, ou seja, também poderá liquefazer, de tal maneira que nós poderemos até exportar gás”.
Segundo Gabrielli, a estatal está trabalhando em um ciclo de montagem do sistema de abastecimento de gás que deverá ser concluído até 2011. “Com isso, serão mais de 9 mil quilômetros de gasodutos, com entrega acima de 70 milhões de metros cúbicos/dia no País. Está clara a capacidade de entrega de gás no mercado nacional”.
Preferido por motoristas de táxis e vans, o GNV tem cada vez mais adeptos, principalmente pela economia. Para se ter idéia dos benefícios do combustível, o carro movido a gás roda o dobro da quilometragem que o veículo abastecido por álcool.
“A cada litro de álcool, o motorista anda 7 quilômetros. No caso do gás, com um metro cúbico, o motorista roda até 14”, explica Celso Mattos, diretor-executivo do Sindirepa-RJ (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Rio de Janeiro).
4 MIL KITS POR MÊS
A declaração de Gabrielli trouxe mais otimismo aos donos e funcionários de convertedoras. “O setor está animado. A perspectiva para este ano aponta crescimento de pelo menos 30% no número de conversões — por mês, 4 mil veículos têm o kit instalado só no Estado do Rio”, informou Mattos.
Hoje, o preço médio do metro cúbico do GNV nas bombas é de R$ 1,48. Mas a tendência, de acordo com profissionais da área de gás, é que os preços fiquem ainda mais baixos no decorrer deste ano. “Ao que tudo indica, o gás vai ficar até 17% mais barato até dezembro”, disse Mattos. Para converter o carro a gás, o motorista gasta, em média, R$ 2 mil com a instalação do kit.
O taxista José Edimilson do Nascimento, 43 anos, roda, em média, 300 quilômetros por dia e abastece duas vezes. “Eu costumo gastar cerca de R$ 35. Mas acho que poderia ter um gasto menor. Os donos de postos poderiam repassar mais as reduções anunciadas pela Petrobras”, sugeriu.
APÓS QUEDA DE 5,5%, SETOR ESPERA NOVA REDUÇÃO
A queda dos preços do petróleo e de derivados no exterior permitiram a redução de 9,5% do preço do GNV (5,5% nas bombas) no início deste mês. Animado, o setor já faz projeções de nova redução para maio. Para Manoel Fonseca, presidente do Sindicato dos Postos, é preciso aguardar, mas a notícia é animadora. “Estamos prevendo uma queda média de 4% a 5%. O maior reflexo será na segunda quinzena deste mês, quando o preço será referência para reduzir o imposto sobre o GNV”, calcula.
Para a subsecretária estadual de Desenvolvimento Industrial, Renata Cavalcanti, a queda é alívio para os taxistas e a indústria fluminense, sobretudo nos setores que usam como insumo: “Com isso, o Rio será mais competitivo, porque o preço para a indústria ficará 22% menor, em comparação com São Paulo”. Em relação a São Paulo, o GNV no Rio ficará 18% mais barato. Renata diz que há chances de nova redução de preços em maio, desde que o valor do petróleo no exterior se mantenha entre US$ 45 e US$ 60.
Ontem, a Petrobras anunciou que a produção média de petróleo e gás em janeiro alcançou 2.219.165 barris equivalentes por dia — avanço de 4,8% sobre o volume de janeiro de 2008 e 0,7% face dezembro passado.