GÁS PROTEGIDO DA CRISE
Petrobras anuncia investimentos superiores a US$ 10 bilhões
Rio - Apesar dos efeitos da crise financeira global, a Petrobras anunciou ontem um investimento 70% maior do que o divulgado no ano passado para a área de gás e energia. O valor subiu de US$ 6,2 bilhões, reservados no período 2008-2012, para US$ 10,6 bilhões, até 2013. A meta da estatal para os próximos cinco anos é atender a uma demanda de 135 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural — 49 milhões para o mercado termelétrico, 41 milhões para as indústrias e 45 milhões para outros usos.
De acordo com a empresa, US$ 8,2 bilhões serão destinados à conclusão de obras de expansão das malhas Sudeste e Nordeste e à construção de novos terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL). O restante (US$ 2,4 bilhões) servirá para concluir as usinas termelétricas e pequenas centrais hidrelétricas, além da participação em novos negócios de energia, incluindo usinas eólicas.
Ao detalhar os investimentos da companhia para o setor de 2009 a 2013, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que a empresa trabalha com o objetivo de “fortalecer a liderança no mercado brasileiro de gás natural, com atuação internacional, e ampliação na geração de energia”.
PERSPECTIVA DE BAIXAR OS PREÇOS NAS BOMBAS
O investimento vai tornar o GNV (Gás Natural Veicular) mais vantajoso para os motoristas, estimam as convertedoras brasileiras. O clima de otimismo tomou conta do setor após a estatal divulgar o plano de negócios. De acordo com Celso Mattos, diretor-executivo do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios), a quantia vai fortalecer a idéia de que existe gás no País suficiente para o consumo interno e até para exportação.
“O Brasil vai se tornar auto-suficiente em gás e vai poder exportar, porque a oferta interna vai ser muito maior que a demanda do mercado”, afirmou Mattos. A tendência, segundo ele, é que isso contribua para baixar os preços nas bombas. “Com o crescimento da oferta, a tendência é que o preço caia. Isso também vai estimular novas conversões e tornar o GNV mais interessante. Vai reaquecer o mercado”, garante Mattos.
No ano passado, o cenário não foi tão positivo quanto se esperava, segundo o diretor do Sindirepa. “Só começou a melhorar em outubro de 2008. A partir daí, o movimento nas convertedoras vem crescendo”, disse Mattos. A expectativa do setor para os próximos anos é a melhor possível. “Estamos otimistas”, afirmou.
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